Com a chegada do outono e inverno, é comum notarmos um aumento nos casos de doenças respiratórias em crianças. Gripes, resfriados, bronquiolites, otites, sinusites e pneumonias tornam-se mais frequentes. Isso ocorre por diversos motivos: o ar mais seco, as temperaturas mais baixas e a permanência por mais tempo em ambientes fechados, o que favorece a circulação de vírus e bactérias.
Pais, cuidadores e escolas podem atuar juntos para enfrentar esse período de forma mais tranquila, promovendo hábitos de prevenção e fortalecendo a imunidade das crianças. Este é um cuidado diário, coletivo e possível.
🦠 Por que as doenças aumentam no inverno?
O inverno traz mudanças no ambiente e nos hábitos que facilitam a transmissão de infecções respiratórias:
• Ambientes fechados e pouco ventilados favorecem a propagação de vírus;
• Ar frio e seco resseca as mucosas do nariz e garganta, que são barreiras naturais do nosso corpo;
• Menor exposição solar reduz a produção de vitamina D, que participa da resposta imunológica;
• Maior circulação de vírus sazonais, como o Influenza (gripe), o vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus e adenovírus.
Esses fatores somados impactam principalmente as crianças, cujo sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.
💉 Vacinas: proteção eficaz em todas as idades
As vacinas são uma das formas mais seguras e eficazes de prevenir infecções e suas complicações, especialmente nos meses de maior circulação viral.
• A vacina contra a gripe (influenza) é indicada anualmente para todas as faixas etárias. Estudos da Organização Mundial da Saúde mostram que a vacinação reduz significativamente os casos graves e hospitalizações em crianças.
• As vacinas pneumocócicas, especialmente as versões 15-valente e 20-valente, proporcionam proteção ampliada contra mais sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, principal causa de pneumonias e otites. Uma análise publicada no Journal of the Pediatric Infectious Diseases Society demonstrou que essas versões aumentam a cobertura protetiva em relação às formulações anteriores.
Outras vacinas do calendário infantil (como DTP, Haemophilus influenzae tipo B, rotavírus e meningocócicas) também contribuem indiretamente para a saúde respiratória e devem estar em dia conforme orientação do pediatra.
A imunidade é construída ao longo do tempo
O sistema imunológico da criança está em desenvolvimento e precisa de estímulos saudáveis e consistentes para se fortalecer. Não existe uma solução imediata ou suplemento milagroso — a imunidade é o reflexo de hábitos mantidos ao longo do tempo.
Os pilares da imunidade infantil
🍽️ 1. Alimentação nutritiva e variada
• Frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas fortalecem o corpo.
• Alimentos ricos em vitamina C (laranja, acerola), vitamina A (cenoura, abóbora), ferro (feijão, carne) e zinco (sementes, castanhas) são aliados importantes.
• Evitar excesso de açúcar e alimentos ultraprocessados é fundamental, pois eles aumentam processos inflamatórios e reduzem a eficiência imunológica.
😴 2. Sono de qualidade
• Crianças precisam de 9 a 13 horas de sono por noite, dependendo da idade;
• Sono regula hormônios, fortalece defesas e reduz risco de infecções recorrentes.
Manter horários consistentes e uma rotina noturna previsível faz toda a diferença.
🌞 3. Exposição solar e tempo ao ar livre
• A exposição ao sol, em horários adequados, favorece a produção de vitamina D;
• Atividades ao ar livre, como brincadeiras em parques e contato com a natureza, ajudam a equilibrar a microbiota e reduzem o estresse.
🏃 4. Movimento e atividade física
Crianças que se movimentam regularmente têm melhor circulação, controle de peso, saúde pulmonar e emocional.
A atividade física, mesmo que lúdica e leve, regula a resposta imunológica e contribui para o bem-estar geral, reduzindo a frequência de infecções.
✅ 10 Dicas práticas para o dia a dia
1. Ventile os ambientes todos os dias, mesmo que rapidamente;
2. Evite aglomerações em locais fechados, principalmente em períodos de maior circulação viral;
3. Estimule a higiene das mãos com frequência;
4. Ensine as crianças a espirrar no braço e não nas mãos;
5. Evite o compartilhamento de copos, talheres e brinquedos que vão à boca;
6. Garanta uma alimentação colorida e rica em nutrientes todos os dias;
7. Priorize uma rotina de sono consistente, com horários regulares;
8. Estimule o brincar ao ar livre e o contato com a natureza sempre que possível;
9. Evite automedicação ou uso de suplementos sem recomendação médica;
10. Consulte o pediatra em caso de febre persistente, tosse intensa ou sinais de dificuldade respiratória.
Cuidar é um ato coletivo
O aumento de doenças respiratórias no inverno faz parte do ciclo natural da infância, mas é possível atravessar essa estação com mais segurança por meio da prevenção, do cuidado com a imunidade e da construção de hábitos saudáveis.
A escola e a família como aliadas da saúde
As doenças de inverno fazem parte da infância, mas com cuidado, prevenção e acolhimento, conseguimos atravessar esse período com mais leveza.
Aqui no CEC, acreditamos que saúde é um processo construído em parceria com as famílias. Ao promover hábitos saudáveis, oferecer alimentação equilibrada, incentivar o brincar ao ar livre e manter os ambientes ventilados, criamos um espaço mais seguro para todos.
Dra. Natália Borges
Pediatra – Instituto Gemmare e CEC
CRM-SP 175314